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Quando aqui chegou em 1500 Pero Vaz de Caminha, escrivão português da frota de Pedro Álvares Cabral, escreveu ao rei de Portugal: Nesta terra em se plantando tudo dá. Apesar do entusiasmo e romantismo deste navegante com nosso potencial, o Brasil foi grande importador de alimentos na maior parte de sua história.

Incialmente produzíamos apenas cana de açúcar, depois foi o café, mas, com o ensino, formando Engenheiros Agrônomos; com a pesquisa desenvolvendo tecnologias e com a extensão levando os conhecimentos aos produtores, nos transformamos nos últimos 50 anos em um dos principais celeiros de alimentos do mundo. Hoje somos reconhecidos como o maior exportador do mundo em diversas espécies de cereais, frutas, grãos e carnes de boi e de frango.

Por exemplo, com extensão a continental e o clima tropical, o Brasil pode fazer o plantio de soja e em seguida uma segunda safra de milho na mesma área e ano, o que não é possível em outros grandes produtores de alimentos, como os Estados Unidos. Com uma população de 210 milhões de pessoas, o Brasil produz alimentos para 800 milhões de pessoas. Segundo a estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), o Brasil deve produzir, este ano, uma safra recorde de mais de 268 milhões de toneladas. Foi a tecnologia gerada pelos cientistas brasileiros que possibilitou tamanha façanha.

Entretanto, produzir em climas tropicais não é simples e nem fácil. Na verdade, é muito mais desafiador do que produzir alimentos nas regiões temperadas, pois aqui a ocorrência de pragas e doenças é muito mais severa e, os nossos solos também possuem desafios monumentais, pois são menos férteis e com maior teor de alumínio tóxico às plantas. Problemas esses que nossos cientistas agrícolas vêm resolvendo.

Apesar dos desafios extras, a agricultura nacional gera riqueza e alimentos para o brasileiro e para o mundo. Também equilibra a balança comercial e dá emprego para cerca 20 milhões pessoas no país. Destes, quase 10 milhões da porteira para dentro, isto é, no setor primário. Essa é uma realidade que só alcançamos graças aos investimentos e aos incansáveis pesquisadores que, especialmente desde a década de 1960, vem se dedicando para gerar tecnologias, variedades, equipamentos e técnicas culturais adaptadas aos solos e clima tropicais.  Essas tecnologias não podiam ser importadas, pois não existiam em nenhum outro país. Sem esses avanços aqui realizados ainda seríamos um país importador de alimentos, como ocorria até os anos 1970. Naquela época importávamos alimentos para atender as demandas da nossa população, o que era incompreensível, dado o nosso potencial. De fato, nos anos 70 as maçãs nos nossos mercados vinham da Argentina. Hoje, até maçãs exportamos para Europa. Sem dúvida, Agro é Tech, Agro é Pop, Agro é Tudo!

A Universidade Federal de Viçosa teve e ainda tem um papel fundamental nesse progresso. Daqui saíram a atual Ministra da Agricultura, Sra. Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias; o atual Presidente do CNPq, Prof. Evaldo Vilela; Dr. Eliseu Alves, o idealizador e consolidador da EMBRAPA, empresa cujo atual presidente também se formou na UFV, Dr. Celso Moretti. Daqui saiu o Dr. Helvécio Matanna Saturnino, criador do programa PIPAEMG, que veio a ser transformado em Epamig, além de muitas outras autoridades. Na UFV treinamos o agrônomo que produziu o primeiro híbrido de milho do Brasil, Sr. Antônio Secundino de São José, também fundador da Agroceres, empresa de melhoramento de milho. Daqui saíram muitas das melhores variedades de soja, feijão, café. No caso da cana de açúcar, a variedade mais plantada no mundo foi selecionada na UFV. Muitos dos mais relevantes conhecimentos para adubação em solos tropicais, tratos culturais e outras tecnologias que contribuíram para viabilizar o plantio de soja, milho, arroz, trigo, café e outras culturas no cerrado do Brasil foram gerados na UFV.  Daqui saíram muitos dos melhores pesquisadores da EMBRAPA, de institutos de pesquisa e de muitas outras universidades brasileiras e do exterior. 

AGRO é ou não é UFV?

Aluízio Borém
Engenheiro Agrônomo, M.S., Ph.D.
Professor de Agronomia da Universidade Federal de Viçosa.
E-mail: borem@ufv.br

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